Velas e Vinho
Enquanto a noite passava do lado de fora do quarto,
Havia em meio ao lençol um banquete farto,
Vontades concedidas e um fio de luz pra iluminar.
Se o tempo não voasse e fizesse chegar a manhã,
Entre as paredes onde se perdiam e se encontravam A insanidade e a mente sã,
Ainda haveria tempo pra se descobrir muito mais.
Os desejos mais profanos,
Teu signo, teu arcano,
E o nome do arcanjo que tua mesa proverá.
Se o dia não insistisse em chegar tão cedo,
Haveria eu contado meu maior segredo,
Arrombado as janelas do medo e feito a mudez cantar.
Pois ao lado de tal criatura tudo se faz diferente,
O frio aquece-se, e, quente
Faz a chuva do céu descer , e os corpos nus molhar.
Mas a manhã chegou num segundo,
E agora como um moribundo,
Desço as ruas com um sorriso amarelo no rosto,
Esperando um outro tempo, onde eu possa minha sede saciar.
Se o espírito que me acompanha se sente agora tão forte,
Estando antes nos braços da morte,
É somente porque no vinho da vida,
Ela me fez me embriagar.
Escrito por Huberth Allan às 13h25
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